<-- 1986 - 1989


1990 - 1996


Com o sucesso de Brasil, a banda se empolga e investe bastante no Anarkophobia, de 1990. "Nesse trabalho, acho que tentamos dar um passo maior do que a perna. Somos músicos toscos, não somos como o Sepultura, que toca pra caralho", admite Gordo.

Porém, o que queimou o filme mesmo nessa época não foi o lado musical, mas as apariçães do Ratos de Porão em programas como Gugu e Angélica. "Os caras da Eldorado não tinham visão nenhuma e achavam que a gente deveria ir nesses programas. Fomos até no programa da Angélica... da Angélica!!! Foi ridículo, simplesmente ridículo", grune Gordo, constrangido.

Mal o Anarkophobia havia chegado nas lojas e Spaghetti saiu da banda. Betão (ex-Korzus) quebrou um galho por um tempo, mas só com a entrada de Maurício Alves Fernandez (Boka), é que a bateria do Ratos de Porão ganhou o motor que a move até hoje. "O Spaghetti tinha saído por causa da mulher dele e o Boka apareceu do nada. A gente estava tocando um tempo com o Betão, mas o som estava ficando muito metal com ele. Aí veio o Boka, com aquele cabelinho de surfista, que não tinha nada a ver com a gente. No primeiro ensaio, ele tocou o Brasil inteiro. Aí, eu dei pra ele o Anarkophobia para tirar, mas já meio que descartando o cara", confessa Gordo. "Eu estava pensando no Bauer (Down Hill, Agrotóxicos), mas aí o Boka apareceu com o Anarkophobia todo tirado. Não dava para dizer não para o cara. Mas, porra, eu não queria um cara com aquele cabelo na banda (risos). Depois, ele raspou".

Boka confirma que quase foi despachado de início: "Eu senti que ele já estava meio que descartando, mas aproveitei que era véspera de carnaval e passei o feriado inteiro tirando as músicas. Eu já era fã do Ratos, ficou muito mais fácil", diz. Verdadeiro polvo na bateria, Boka começou a tocar o instrumento em 1987, para poder entrar na banda Psychic Possessor. "Era o auge da união metal com punk, todo mundo queria vestir camiseta de S.O.D., C.O.C. e D.R.I., eu adorava Raw Power, Concrete Sox, som bem bagaceira. Naquela época, o público era muito foda, o Psychic fazia show para 700 pessoas. O Gordo cantou vários shows com Psychic, levando músicas do Napalm Death e do Exploited. Quando o Ratos ficou sem batera, eu resolvi encarar. Porra, se eu não conseguisse tocar aquelas músicas, era melhor largar a batera e ser apenas surfistas mesmo", brinca Boka.

E foi nesse pique que saiu R.D.P. Ao Vivo, gravado em um show de São Paulo. Porém, quando a paz parecia reinar e finalmente os problemas da bateria estavam resolvidos, a banda fica desfalcada no baixo: Jabá saiu do grupo, em 93. Sem poder perder tempo por causa de diversos compromissos, o conjunto chama um amigo próximo para o posto: Walter Bart. "Ele era um cara legal, do tipo bonzinho, ensinou a gente a tocar Breaking All The Rules, do Peter Frampton", diverte-se Gordo. "Ele tocava bem Peter Frampton, mas eu achava que ele não iria segurar a onda. O cara é bem rockeiro das antigas, não tinha muito a ver. Ele sofreu muito na minha mão, pois eu jogava baquetas nele durante os shows", lembra Boka, gargalhando.

Foi assim que saiu Just Another Crime In Massacreland, o disco mais criticado do Ratos de Porão. Com quase tudo cantado em inglês, o álbum era uma cartada arriscada para atingir o mercado externo. "Esse é o nosso disco secreto -é bem feito, mas pouca gente conhece", ironiza Gordo. "Era um álbum para ter boa repercussão no exterior, mas a Roadrunner fez tudo errado. Aliás, a Roadrunner foi uma merda na nossa vida, atrasou nosso lado por muitos anos. Aquela época foi tão ruim que lançamos uma demo e duas revistas (em quadrinhos) para poder manter a banda viva".

"Esse disco é esquisitaço. Não teve muita participação minha, pois foi meu primeiro trabalho com o Ratos, eu praticamente só toquei, não ajudei a compor nada", diz Boka.

A própria banda não ficou muito satisfeita com o trabalho e nem com a performance de Walter, um cara com formação mais rock'n'roll. "Eu que cheguei e disse para o Walter que ele estava fora. Depois, liguei para o Gordo e disse que estávamos sem baixista e precisávamos de um cara que já chegasse tocando Beber Até Morrer, pois não dá pra pegar um cara e começar tudo do zero novamente", lembra Jão.

A fase pós-Massacreland foi difícil, os músicos estavam muito desanimados. "Estávamos fazendo show para 150 pessoas, por isso, decidimos que era hora de dar uma virada", explica Boka. "Começamos a organizar mais as coisas, a marcar shows onde fosse possível e o público começou a aumentar de novo".

Na parte musical, o segredo da mudança repousava sobre uma receita simples: a especialidade do Ratos de Porão sempre foi o hardcore tosco, não adiantava querer inventar muito. Rafael (Pica-Pau) veio para o baixo e a banda resolveu investir num projeto ambicioso de volta …s raízes: lançou dois CDs com 41 covers de bandas punks. Assim nasceu (em 95) Feijoada Acidente? Brasil (com covers de bandas punks nacionais) e Feijoada Acidente? International (covers gringos). E qualquer semelhança desse título com The Spaghetti Incident?, do Guns N'Roses, é mero sarcasmo.

"Essa foi a fase que começamos a retomar o lance do punk no Ratos, pois nosso negócio é mesmo fazer barulho, não adianta ficar inventando muito. Feijoada Acidente? é uma verdadeira aula de punk rock", decreta Gordo. "Esse álbum foi muito bem aceito, ao contrário do Massacreland. Foi quando eu comecei a me envolver mais profundamente com esse lance de selo independente e passei a assumir uma posição tipo de manager do grupo", lembra Boka.

1997 - 1999

2000 - dias atuais