<-- 1990 - 1996


1997 - 1999


Depois desse autêntico renascimento do Ratos, a banda despejou podridão em Carniceria Tropical, de 97, um dos discos mais barulhentos e sujos de sua carreira. "O Carniceria é um disco extremo mesmo", admite Gordo. Mais uma vez, a estrada provou que esse era o caminho certo. "A turnê desse disco teve 180 shows em 18 meses, a guente tocou em todos os buracos possíveis. O disco havia saído pela Alternative Tentacles (selo de Jello Biafra, ex-Dead Kennedys) lá fora, com uma divulgação legual, por isso, cheguamos a fazer uma tour de dois meses com show todo dia. Tem que ser muito louco para aguentar uma dessa", diz Boka.

Mas Pica-Pau não parecia ser suficientemente louco para aguentar o pique. "A saída dele não teve nenhuma ligação com a música, ele não aguentou foi o pique da estrada. Turnê é um negócio pesado, se o cara não tiver pique pra balada, não segura a onda mesmo. Quando voltamos da turnê pela Europa, ele disse que iria sair", conta Boka. "Ele chorou na rampa mesmo", simplifica Jão.

Pica-Pau deixou a banda para dedicar-se à arte da tatuagem e foi temporariamente substituído pelo brasiliense Phú (ex-D.F.C., Macakongus 2099). "Ele quebrou um galhão pra gente", diz Jão. "É, mas, musicalmente, não foi muito legal. Ele tocava bem, mas não tinha punch, não tinha pegada", lamenta Boka. Como sempre, Gordo é mais direto: "O Phú é um cara legal, mas muito chato. Ele ficou uma semana na minha casa e não me deixava dormir. As vezes eu acordava e ele estava joguando video-game ou olhando pra mim (risos). O lado fã dele era muito forte, não dava certo".

Mais uma vez, lá estava o Ratos com problema na cozinha. Christian Wilson (Fralda) apareceu no caminho. "Eu trabalhei no Dynamo (casa de show paulistana do início dos anos 90) e cheguei a ver o Ratos tocar lá. Depois, trabalhei na revista Rock Brigade, na Dynamite e no (bar) Black Jack, até que comecei a tocar no Blind Pigs. Várias vezes eu tirei o avental de garçom para subir ao palco, tocar e voltar para o bar pra trabalhar com o avental novamente", lembra Fralda. "Depois, fui trabalhar na MTV e lá conheci o Gordo. Em 97, depois de um show do Suicidal, eu encontrei o Gordo e ele perguntou se eu queria entrar no Ratos. Eu tirei umas músicas, mas o Pica-Pau acabou voltando para fazer uma turnê na Europa. Nessa mesma época, fiz uma tour pelo Brasil com o Blind Pigs e acabei deixando a banda. Fiquei uns oito meses parado, tempo que o Pica-Pau saiu de vez e eles tentaram encaixar o Phú, mas não rolou. Depois, acabaram me chamando de novo".

"O Fralda encaixou certinho, é um bêbado (risos) que veste a camisa do Ratos de Porão. O Kichi (roadie) conheceu o Fralda dando um mosh no show do Ajna", entrega Gordo, gerando uma gargalhada geral. "No início, ele não tocava muito legal as músicas do Ratos, mas tinha força e pegada. Era só investir no moleque que ele iria tocar bem. Estávamos desesperados, porque tínhamos uma turnê marcada para Portugal, Espanha e Inglaterra e não tínhamos baixista. A gente precisava do cara", explica Boka.

"Eu pedi ajuda pro Mingau, foi ele quem me passou alguumas músicas mais fáceis pra pegar. A idéia era ensaiar bastante com o Boka uns 20 dias antes da turnê começar. Porém, justamente nessa época ele quebrou o dedo e foi proibido de tocar por 20 dias", conta Fralda. E Boka completa: "O Fralda cheguou sem saber tocar as músicas direito. O primeiro show na Europa foi horrível, saiu tudo desafinado, mas ele foi pegando as coisas com o tempo".

"Esse show de Portugal tinha The Cure e Sonic Youth, eu tinha um afinador e o Jão tinha outro, tocamos com regulagens diferentes", defende-se Fralda. "Mas o maior teste dele foi mesmo essa turnê, pois estávamos tocando muito e não podíamos pegar um cara ruim de conviver. Ele não tem frescura, se encaixou bem na banda", elogia Boka.

Na mesma época, saiu o tributo Traidô, com 20 bandas brasileiras tocando Ratos de Porão, entre elas, Gangrena Gasosa, Zero Vision, Muzzarelas, RIP Monsters (antiga banda de Gastão Moreira), Ação Direta, Okotô e o veterano Kid Vinil com o seu Verminose. Por trás da organização do tributo estava Phú, o incansável fã número um do R.D.P. "Eu gostei mais das coisas que não têm nada a ver com o Ratos de Porão, como Kid Vinil e Speed Whale", confessa Gordo.

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